Para Refletir

Maternidade e maternagem

Neste mês de maio, comemorando o Dia das Mães, proponho refletirmos sobre a maternidade e a maternagem.

Maternidade é a qualidade ou condição de ser mãe, o laço parentesco que une mãe e filho. Maternidade é instinto e uma condição típica feminina. Vivenciar a maternidade pode ou não ser uma escolha, dependendo do contexto em que o laço de parentesco foi criado. Desta forma, a própria maternidade pode ser favorável ou não ao desenvolvimento da maternagem.

Maternagem é a relação de  cuidados próprios de mãe, materno, afetuoso, dedicado e carinhoso. É a característica de servir, devoção. Maternagem é uma escolha, é uma característica de pessoas que abraçam grandes causas e preocupam-se com todos os seres. Maternagem é aprendizado.

As características da maternagem permitem que ela possa ser atribuída a todas as pessoas que estabelecem relações de cuidado, afeto, proteção.

A maternagem pode ser desenvolvida mesmo sem a condição biológica de ser mãe, sem a gestação. É uma característica que envolve a formação da personalidade, com influências internas e externas (relações sociais, relações familiares, crenças religiosas, condições ambientais). Desta forma pode estar mais ou menos presente em cada pessoa, em diversos níveis.

Podemos identificar pessoas, geralmente as que optam por profissões em que o cuidado com o outro é o eixo central, como médicas, enfermeiras, cuidadores de idosos, educadoras, professoras, assistentes sociais, psicólogas, fisioterapeutas, etc, em que a maternagem se faz muito presente. É através das relações com o outro, do olhar mais humanizado, das relações de afeto e de doação que a maternagem é percebida. 

A maternidade biológica, por si só, não torna a mulher apta a exercer a função de mãe, de forma mais abrangente. As transformações biológicas da gestação permitem a nutrição física, através do cordão umbilical e posteriormente da amamentação (que passa a ser opção neste momento), mas podem não vir acompanhadas de uma condição de nutrição emocional.

Quando nos deparamos com mães biológicas não preparadas emocionalmente para a maternagem, devemos buscar construir essa características respeitando o repertório individual, o que elas trazem em si.  Não sendo possível esta construção ou reconstrução, a maternagem será nula e dificilmente a relação mãe/filho será bem sucedida. Nestes casos, apoios externos, como familiares e pessoas que convivem com a criança, passarão a desempenhar a função de maternagem.

Em sentido oposto, a construção da maternagem durante o processo de adoção não vem acompanhada da maternidade biológica, porém traz consigo a criação de vínculos de cuidado e amor tão ou até mais intensos. Em muitos casos, como no caso de Priscila (depoimento feito nesta edição), a gravidez ocorre espontaneamente após a adoção, como se o corpo entendesse que a construção da maternagem foi tão bem sucedida que torna-se apto a gerar uma nova vida.

A maternagem nutre a si mesma através das relações e vínculos construídos e também auxilia na construção e fortalecimento desta característica em quem as recebe, criando assim um ciclo infinito de afeto, carinho e doação.

Ser mãe é muito mais do que gerar uma vida, é criar condições favoráveis para o desenvolvimento global dessa nova vida. É possível ser mãe sem a maternidade, mas não é possível ser mãe sem a maternagem.

Parabéns a todas que se permitem vivenciar a maternagem e contribuir para um mundo mais humano.

Abraços. 

Escrito por Andrea Garcia Romani de Lemos

Psicóloga

Andrea Garcia Romani de Lemos
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