Para Refletir

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 16, estabelece o direito a “brincar, praticar esportes e divertir-se”.

Brincadeira é coisa séria! Pode parecer estranho dizer isso, mas a brincadeira tem um significado muito mais amplo do que a diversão. Brincar é uma atividade espontânea, natural e necessária, através da qual a criança constrói seu próprio mundo. É através da atividade lúdica que a criança comunica seus sentimentos, ideias e fantasias, fundindo o real e o imaginário e permitindo a exploração de diferentes linguagens, papéis sociais e familiares, conhecimentos científicos e valores morais.

Os jogos e brincadeiras estimulam o raciocínio (estímulos sensoriais) e favorecem a vivência de situações do cotidiano, além de ensinar valores como companheirismo, respeito, perseverança, entre outros. A brincadeira em grupo favorece princípios como cooperação, liderança, competição e obediência às regras. Através do brincar a criança aprende, experimenta o mundo, possibilidades, relações sociais, elabora sua autonomia de ação, organiza emoções, desenvolve suas potencialidades e trabalha com suas limitações.

Através do jogo, compreende o mundo à sua volta, aprende regras, testa habilidades físicas, como correr, pular, aprende a ganhar e perder. O brincar desenvolve também a aprendizagem da linguagem e a habilidade motora. O jogo é uma forma de a criança se expressar, já que é uma circunstância favorável para manifestar seus sentimentos e desprazeres. Assim, o brinquedo passa a ser a linguagem da criança.

Crianças menores, mesmo na companhia de outras, costumam brincar sozinhas. Para elas, o ideal são brincadeiras que estimulem os sentidos. Através deles, elas exploram e descobrem cores, texturas, sons, cheiros e gostos. Correr, puxar carrinhos, escalar objetos, jogar com bolinhas de pelúcia são atividades recomendadas.

Por volta dos 3 anos, elas desenvolvem outro tipo de brincadeira: o faz de conta. Imitar situações cotidianas – como brincar de casinha, escolinha, trânsito – permite que as crianças se relacionem com problemas e soluções que passam do fazer imaginário para o aprender real.

A partir dos 5 anos, os pequenos estão aptos a incluir o outro nas brincadeiras. É a fase em que elas deixam de brincar ao lado de outras crianças e passam a brincar com outras crianças.

Os jogos motores (de movimento) e os de representação (faz de conta) continuam e se aprimoram. Surgem os jogos coletivos, de campo ou de mesa: jogos de tabuleiro, futebol, brincadeiras de roda.

A partir dos 7 anos, a criança está apta a participar e se divertir com todos os tipos de jogos aprendidos, mas com graus de dificuldade maiores.

Vygotsky em suas fundamentações também enfatiza a importância dos jogos e das atividades artísticas em grupo, como meio para o desenvolvimento individual e de efetivação da aprendizagem.

A brincadeira é considerada uma atividade universal que assume características peculiares no contexto social, histórico e cultural no qual está inserida. O ato de brincar é carregado de significação, onde se exterioriza o estado da criança e sua construção de identidade. O brincar apresenta-se numa variedade de conotações sociais e possibilita a interpretação do biológico, do cultural e do psicológico da criança.

Falta à sociedade, ao adulto, reconhecer o brincar como elemento básico para um desenvolvimento pleno e saudável das crianças.

Reconhecer a criança como sujeito de direitos e dizer que ela é cidadã significa entender que tem direito à brincadeira, e não deve tomar conta de outras crianças, trabalhar e exercer funções de adultos.

Escrito por Andrea Garcia Romani de Lemos

Psicóloga

Andrea Garcia Romani de Lemos
0
0
0
s2sdefault

Artigos Anteriores