Para Refletir

Neste mês comemoramos o Dia dos Pais. Historicamente, a data é comemorada no Brasil desde 1953. A data escolhida inicialmente era 16 de agosto, em homenagem ao dia de São Joaquim, pai de Maria, mãe de Jesus. Posteriormente a data mudou para o segundo domingo de agosto.

A figura masculina é muito importante na formação de uma criança. Na falta dela (união homoafetiva, pai ausente etc.), a criança irá buscar uma figura masculina forte na família extensa (tios, avós) ou em seu meio social (professores, mentores, vizinhos, pais de colegas) para ter uma identificação.

Os papéis sociais estão em processo de transformação, trazendo novas constituições familiares e redefinindo os papéis e funções. Certamente, ocorrem adaptações aos papéis, de acordo com cada caso. O fato é que a criança sempre buscará as referências de figuras materna e paterna, para ter segurança e modelos para seu desenvolvimento.

Para a psicologia, o papel do pai é auxiliar a mãe com os cuidados com o filho e inserir, aos poucos, a criança no mundo externo, apresentando valores, regras, limites. Atualmente, tal definição abrange também valores como cuidado, amor, participação, entre outros.

A proposta, aqui, é refletir sobre a função muito mais ampla da paternagem, diferenciando-a da paternidade.

Paternidade é o ato biológico de gerar um filho. Infelizmente, este é o conceito predominante na sociedade quando falamos sobre a figura paterna. Um conceito ainda carregado de sentido machista, a diferenciar papéis de homem e mulher e atribuindo a cada um funções específicas, em que imperam a autoridade masculina e a submissão feminina.

Nesta visão social, de um sistema patriarcal, são afastados sentimentos, afetos, cuidado, proteção. Tem-se como função paterna apenas o provimento (quando ocorre).

A paternagem amplia esse distorcido conceito, permitindo falar em criação, participação no preparo do filho para o mundo, troca de afeto, amor, cuidado, proteção, orientação, segurança. Viver a paternagem é participar ativamente da dinâmica familiar, desde o início (gestação, parto, amamentação). É aprender a função paterna a cada dia, é sentir-se transformado com a chegada de um filho. É viver esse novo papel em sua plenitude.

A paternagem pode existir sem a paternidade, sendo construída durante o processo de adoção e nas relações pai e filho, como podemos perceber no depoimento desta edição.

A paternagem nutre, cuida e é o diferencial decisivo para uma relação saudável. O pai que exerce sua paternagem será realmente marcante para o filho, será seu alicerce, sua segurança e permitirá que os valores construídos sejam sempre fortalecidos.

Pai – paternidade: homem que se tornou pai biológico de alguém.

Pai – paternagem: homem que se tornou fundamental para alguém.

Escrito por Andrea Garcia Romani de Lemos

Psicóloga

Andrea Garcia Romani de Lemos
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