Nossa História

Ola minhas queridas e meus mais ou menos queridos, tenho a grata tarefa de escrever sobre um grande amigo que acompanhou e inspirou minha vida, não só religiosa, mas a minha vida como  um todo: José Benedito Antunes, o nosso querido Monsenhor Antunes, que nos mostrou com muita ênfase, entre tantas outras coisas o que São Tiago disse em sua carta, ...” A fé sem obras é morta”... .

Monsenhor nasceu em 1º de abril de 1922, não é mentira, isso foi na cidade de Espírito Santo do Pinhal, interior de São Paulo. Foi ordenado padre aos 32 anos em 1954 pelo bispo Dom Octávio da diocese de  Pouso Alegre, em Minas Gerais. Foi um dos 1os. padres da diocese de Santo André, passando por várias paróquias da nossa região tais como: a Catedral do Carmo, já a partir de 1956, Santa Luzia e por último, em 1978 na Santa Rita de Cássia onde atuamos em sua companhia até seu falecimento em julho de 1994.

Nossa homenagem se deu pelo fato dele ter  sido uma pessoa de muita sensibilidade e grande preocupação social, sobretudo com as estruturas injustas que condenam muitos seres humanos a situação de exclusão social e que nos inspirou a também atuar junto com as carências das pessoas da nossa região.

Nos anos 60, durante o Concilio Vaticano II o bispo da diocese  de Santo André , D. Jorge Marcos de Oliveira, ao participar da decisão do fim da obrigatoriedade do uso de batinas pelos padres, ligou imediatamente para Monsenhor Antunes, um de seus braços na diocese e pediu para tirar a batina, dessa forma Monsenhor foi um dos primeiros, senão o primeiro padre do Brasil a se apresentar sem batina usando apenas clergyman     (colarinho branco próprio do clero).

Lutou intensamente pelos pobres e pelos direitos humanos, foi pioneiro, junto com Dom Jorge na denúncia e combate à ditadura militar, liderou a juventude  operária, da ação católica, e outros jovens estudantes que tinham no Monsenhor sua inspiração e orientação.

Realizava piquetes em portas de fábricas, organizava passeatas contra ditadura, Monsenhor era responsável por driblar a cavalaria da polícia que era presença certa pra dispersar os manifestantes. Monsenhor se munia de bolinhas de gude e rolhas de garrafas que era espalhada no caminho quando chegava a cavalaria, essa  ação desequilibrava os cavalos e abria espaço para fuga dos manifestantes, foi processado por sua atuação junto ao sindicato dos metalúrgicos de Santo André em 1970, mas com apoio e proteção de seu amigo D. Jorge foi libertado e finalmente absolvido em 1974. 

Monsenhor foi uma figura impressionante, muito carismático, sempre rodeado de muita gente, sobretudo jovens, pois tinha um carinho e respeito impressionante à juventude, com ele, chegamos a ter grupo com cerca de cem jovens além do grupo de crisma.

Bom papo, grande companhia, bem humorado, grande piadista. Certo dia, quando estávamos num encontro de crisma, na sala da sua casa, ele passou ouviu e saiu, instantes depois voltou com um prato contendo um queijo mineiro e uma faca, e passou cortou o queijo e muito rápido perguntou...” quer queijo? Não quer queijo? Guarda o queijo. E saiu rapidinho levando o tal queijo.

Muito estimado pelos padres da sua época, aliás uma das coisas que o envaidecia era ter sido um padre que apresentou vários candidatos ao seminário, muito deles padres da nossa igreja, que poderiam nos escrever sobre sua convivência  com o Monsenhor Antunes.

Enfim foi um grande prazer e aprendizado ter convivido  grande parte da vida a seu lado, e continuamos juntos na certeza que ainda é uma inspiração e motivação para nossas ações, especialmente de como ser igreja. 

 

 

Escrito por Roberto de Andrade Júnior

Coordenador Geral

Roberto de Andrade Júnior
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