Depoimento

A partir da decisão de engravidar, de comum acordo e desejo do meu marido, foram dois anos na tentativa e, claro, muitas frustrações. Até o abençoado dia do "exame positivo", com muitas lágrimas, abraços e carinhos recebidos de todos os lados.

Meu marido e eu sempre fomos avessos a desperdício e, cada um à sua maneira, crescemos com forte sentimento de auxílio ao próximo.

Antes mesmo de nos descobrirmos "grávidos", já tínhamos opções de nome, sabíamos quem seriam os padrinhos de batismo e nos comprometemos a não fazer festa de aniversário de fachada. Ah, e claro - o sexo do nosso filho só foi descoberto no momento do seu nascimento, exatamente para evitar o desperdício que sempre combatemos.

Ocorre que antes de completar quatro meses de gestação, durante os exames de pré-natal, descobrimos uma cardiopatia no nosso bebê.

Lembro exatamente do dia em que recebi o diagnóstico da cardiologista - o quanto orei e sinceramente nos entreguei nas mãos de Deus.

Não pedi a Ele para aliviar meu fardo, mas para que profissionais idôneos e experts em suas áreas pudessem cuidar de mim e do meu filho com amor e dedicação.

Jamais posso dizer que recebi um milésimo a menos do que isso!

A bolsa estourou na madrugada de 8 de junho de 2016 e então nos dirigimos para o Hospital Beneficência Portuguesa. Lá, Luiza surpreendeu com a força dos seus pulmões e seus quase 2,5kg, ótimo padrão para um cardiopata recém-nascido.

Com dois dias de vida, realizou sua primeira cirurgia, chamada de Manobra de Blalock. Sem muitas complicações, mamando no peito e com ganho de peso, tivemos alta do hospital com 28 dias de vida.

Daí a gente pensa que sabe de tudo... Só que não sabe...

Dias antes de completar quatro meses de vida, voltei com a Luiza à BP, pois notei muitas coisas "fora do lugar" - febril, muito sonolenta e não urinou por uma noite inteira. Isso foi em 5 de outubro de 2016. Fomos transferidos para o Hospital Infantil Sabará no dia 13 do mesmo mês e, de lá, saímos somente em 6 de dezembro. Nesse período de 60 dias, em quarenta a minha Lulu passou em coma induzido.

Muitos não acreditam em milagres ou em anjos. Eu tive o privilégio de poder vivenciar um milagre produzido por vários anjos - minha oração lá de trás, de antes da Luiza nascer, ainda estava viva e Papai do Céu não nos desamparou. Profissionais maravilhosos e dedicados nos suportaram por todo esse tempo e... Não há palavras que descrevam a gratidão que sinto!

Luiza foi diagnosticada com síndrome hemofagocítica, desencadeada por uma contaminação viral. É uma doença autoimune e, de novo graças a Deus e à força da minha própria filha, é uma doença secundária. Um longo tratamento se seguiu à alta do hospital e até hoje mantemos cuidados especiais com pelo menos quatro especialistas distintos, além da cardiologista. E por falar em cardiologista, Luiza passou por sua segunda correção no coração em março de 2017, ainda no processo de recuperação da hemofagocítica. Ficamos somente 10 dias no hospital, entre internação, cirurgia e pós-operatório. Mais uma cirurgia é necessária e está prevista para final de 2019 ou início de 2020.

No mesmo ano, junho de 2017, Lulu completou um ano e a forma que escolhemos para comemorar foi realizando sua festa de aniversário para 300 crianças carentes, indígenas, moradoras da região do Parque do Jaraguá/SP.

Em junho de 2018, completando seu segundo ano, tive o privilégio de conhecer o IMA, sua história e saber de sua idoneidade e de todo o trabalho maravilhoso que realizam! Com a autorização da diretoria, pudemos realizar a segunda festa de aniversário de nossa filha para cerca de 50 assistidos do programa Mais Vida, e foi um arraiá muito bom!

Assim permaneceremos, agradecendo com o que a vida nos dá - VIDA, alegria, saúde, dedicação ao próximo! Pois foram essas as coisas que mais recebi de volta desde a gestação da Luiza, e tenho certeza que esse é o sentimento que os participantes do Instituto sentem e vivenciam, em todos os momentos.

Nosso MUITO OBRIGADO pela oportunidade de estar com vocês!

 

Ana Paula Ikeda

Voluntária

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